Quinze detentos do regime fechado ganharam o direito de trabalhar em uma fábrica de artefatos em concreto instalada dentro do presídio Jonas Ferreti, em Buritis (RO), no Vale do Jamari.

A ação desenvolvida pela Secretaria de Estadual da Justiça de Rondônia (Sejus) faz parte do projeto “Novo Olhar”, onde os bloquetes e as manilhas fabricadas serão usadas pelo município na pavimentação asfáltica e recuperação de pontes localizadas na zona rural.

Por dia são confeccionados cerca de dois mil bloquetes de concreto — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoPor dia são confeccionados cerca de dois mil bloquetes de concreto — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Por dia são confeccionados cerca de dois mil bloquetes de concreto — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Conforme a direção da unidade prisional, o trabalho ajuda os reeducandos na diminuição da pena com a remissão, em que a cada três dias trabalhados, o detento tem um dia a menos a ser cumprido.

O diretor do presídio, Adil Miguel do Amaral Júnior, explicou que a ideia surgiu por conta da necessidade do município devido a falta de pavimentação em algumas ruas e também pela necessidade do presídio em ressocializar os detentos.

“O instrumento que se tem para a ressocialização é o trabalho, é o que nós temos mais perto e mais próximo para que esses presos voltem mais humanos, diminuindo assim, o impacto deles ao voltarem para a sociedade”, comenta.

Projeto Novo Olhar tem objetivo de ressocializar os detentos e capacitá-los para voltarem a sociedade — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoProjeto Novo Olhar tem objetivo de ressocializar os detentos e capacitá-los para voltarem a sociedade — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Projeto Novo Olhar tem objetivo de ressocializar os detentos e capacitá-los para voltarem a sociedade — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

A prefeitura do município adquiriu os equipamentos para a fabricação dos blocos e manilhas de concreto, os equipamentos de segurança e toda a matéria-prima utilizada. Por dia, são confeccionados mais de 2 mil bloquetes.

De acordo com o diretor executivo da Sejus, Lincoln Pontes, atividades laborais são uma das prioridades da Sejus para que o preso possa trabalhar, o que contribui positivamente para o cotidiano dos presídios e se diminua a tensão dentro da unidade, melhorando também o trabalho para o servidor.

“Desta forma o preso está desenvolvendo a atividade laboral, tá ocupando a mente e cansando o corpo também, quando ele volta pra unidade, ele tem o objetivo simplesmente de descansar e fica com a cabeça mais tranquila, o que melhora na capacidade de reinserção do apenado”, destacou.

Centro de Ressocialização de Buritis possui 140 detentos, mas apenas 15 possuíam os pré-requisitos para trabalhar — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoCentro de Ressocialização de Buritis possui 140 detentos, mas apenas 15 possuíam os pré-requisitos para trabalhar — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Centro de Ressocialização de Buritis possui 140 detentos, mas apenas 15 possuíam os pré-requisitos para trabalhar — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Atualmente, o Centro de Ressocialização de Buritis possui cerca de 140 presos, mas nem todos possuem os pré-requisitos para trabalhar, mas os que conquistaram esse direito sabem que o trabalho abre as portas para uma vida muito mais digna.

O apenado Luiz Fernando Parralego, de 25 anos, conta que cumpre pena na unidade a seis anos e que ganhará liberdade em setembro deste ano. Ele detalha que se a pessoa não querer alguma mudança dentro presídio, ela não mudará o psicológico e voltará com uma mente mais criminosa, mas a oportunidade de trabalho é crucial para a transformação do apenado.

“Tendo um trabalho deste daqui pro preso trabalhar e se desenvolver, ele tem uma maior oportunidade para quando sair ter um trabalho e uma fonte de renda”, diz Luiz Fernando.

Reeducando Luiz Fernando Parralego, de 25 anos, conta que pretende cursar faculdade após sair da unidade — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoReeducando Luiz Fernando Parralego, de 25 anos, conta que pretende cursar faculdade após sair da unidade — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Reeducando Luiz Fernando Parralego, de 25 anos, conta que pretende cursar faculdade após sair da unidade — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Luiz ainda comenta que a sociedade em si possui muita descriminação com a pessoa que termina de cumprir a pena e não lhe dá oportunidades para terem uma nova vida.

“A gente está preso, cometemos um crime, estamos pagando por isso, mas temos um direito de voltar para a sociedade de cabeça erguida, por que muitas pessoas olham pros presos e dizem que ele não tem mais jeito. Mas eu tenho uma vontade enorme de estudar e poder vencer na vida, ter um emprego e uma família e este trabalho é uma porta que está se abrindo para o futuro”, revelou.

Presos ganham oportunidade de trabalho e fabricam bloquetes e manilhas em Buritis — Foto: Rede Amazônica/ReproduçãoPresos ganham oportunidade de trabalho e fabricam bloquetes e manilhas em Buritis — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Presos ganham oportunidade de trabalho e fabricam bloquetes e manilhas em Buritis — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

De bloco em bloco, de manilha em manilha e com muito trabalho que os presos vão construindo aquilo o que mais desejam, a tão sonhada liberdade.